Imensidão Azul

Pra quem acredita no amor...


Imensidão azul
(poesia de Moacir Sader)
Do livro “Amor Gêmeo”
Site autor: www.moacirsader.com


Você acaba de nascer,

renascer de meus sonhos,

vindo para me despertar

de meu sono espiritual

para que eu possa ver

com os olhos do espírito.

E vendo pelo olhar da intuição,

vislumbro que você e eu nascemos

para trilhar juntos a mesma estrada,

na cumplicidade do amor singular.

Você me encanta com o seu sorriso,

transmitindo a beleza

de sua alma translúcida,

apresentando comigo

surpreendentes identificações.

Você veio,

sem que soubesse,

para me mostrar o azul

do céu de minha alma,

reflexo de sua alma gêmea.

Seus olhos de pura vida

conduzem-me ao extremo

da plenitude existencial,

levando-me a voar

no céu de meu interior,

imensidão azul de seu amor por mim.

Meninos não choram.

Ele, Brandon, queria ser “só” ele... Talvez nem ele próprio soubesse de si, mas pra quê saber se se pode apenas ser sem grandes explicações? Talvez não soubesse compreender. Mas era ELE, isso ele sabia, sempre soube. Mas como explicar pras pessoas? Como fazê-las entender? Seria uma tarefa inútil e desgastante, já que as pessoas dificilmente entendem ou querem, realmente, entender. Valeria a pena explicar? Seria necessário? Não seria preferível ser você por você sem que as pessoas vissem diferenças? Sem satisfações? Sem entrelinhas e sequer risco de eventuais distorções?

Eu assisti ao filme Boys Don’t Cry – Meninos não choram. Um filme baseado em fatos reais. É uma história triste e, ao mesmo tempo, comovente, singular, bonita... E eu explico porque bonita - já que me referi a ela, também como triste - pelo amor que rompe barreiras e vai além, vem da alma e se expressa por ela, somente por ela. Entretanto, triste pela intolerância, ignorância, pelo preconceito inútil, porém comum dos dias de hoje.

Digo comovente por ser uma história real, onde um conflito interno, independente de escolha, mas uma dessas coisas que a vida traz e só os fortes suportam a prova, já que precisam de muita garra e confiança em quem são e da consciência de que nada supera a identidade da alma, pois o mundo pode ser revestido por matéria, mas o que permanece é o que vem da alma, é isso que fica registrado, e é sublime.

Achei que o filme poderia retratar um pouco mais sobre o que é a disforia de gênero. Infelizmente, a mídia adora polemizar e utilizar-se de termos vulgarmente conhecidos como “troca de sexo”, como se fosse tão comum e simples, sem qualquer critério. A impressão que dá é que o nível de comparação vai de encontro à simplicidade de ser trocar a cor do cabelo ou da roupa do dia a dia. Assim, acaba por cometer um grande equívoco, pois ao invés de esclarecer e aproximar as pessoas dessa realidade, fincam mais preconceito. Enfim,voltando ao filme propriamente dito, acho que tinham como objetivo “apenas” retratar o que realmente se passou com Brandon e seu desfecho. Mas tá valendo!

Bradon tinha tanto pra viver, pra romper barreiras... Pra conquistar e realizar. Tanto pra vencer e amar...Tanto pra aprender sobre si...Tanto pra ensinar...

Bom, terminei de assistir ao filme e fiquei meio que em estado de choque... Aí, recebi uma mgs no celular... Chegou na hora certa assim como você, Sue, na minha vida. Obrigado por tudo. Naquele instante, eu precisava respirar um pouco pra assimilar o que acabara de vir. É que realmente não tem como não se emocionar e parece que você percebeu, consciente ou não.

Conversando com Maria Clara, perguntei sobre a atriz do filme... DIVINA!LINDA!!!Fez um trabalho espetacular, tanto que ganhou o Oscar de melhor atriz por este filme e tantos outros em que atuou com a alma e, portanto, merecido sucesso... Hillary Swank, esse é seu nome. Fiquei fã. Fã mesmo!!!

Deixo a dica pra quem ainda não assistiu. Talvez assim, antes de atirar à primeira pedra, a gente possa refletir sobre o “drama” alheio; mais que isso, a gente possa olhar para as pessoas com sensibilidade, com altruísmo, sem a máscara da matéria que nos torna frios, racionais, distantes do que é verdadeiramente importante e essencial.
Olhar o outro e à vida sem procurar diferenças... Brandon não foi melhor nem pior que ninguém, tão pouco diferente. Brandon também não foi nem é, a meu ver, digno de dó, porque ele foi (é) tão digno quanto qualquer um. Tudo que ele queria era viver, ser feliz, ter sua identidade social tal qual era em pessoa. Só isso, apenas isso. Talvez seu maior “erro” tenha sido ter estado em meio a pessoas que não tiveram a capacidade de compreender a grandiosidade de seu ser, Brandon, apenas Brandon.


Meninos não choram: um filme que por todo seu contexto vai ficar pra sempre na memória.Pra sempre!

Te amo, Nana!

Hoje foi dia dela: Nana Caymmi. Sua voz única, que seduz e emociona é sentimento que não finda. É como canção de ninar... a gente adorme...