Prelúdio da tristeza

A vida, no seu amargo, pra quê me serve?
E se me serve não sei notar
Pois quando tudo parece tudo
Nada é mais que tudo o que parece soar

Os versos são fáceis
Tal qual meu desânimo.
Quem me permitiu? Não tive alternativas
Não desejei desejar.

Pretendo ser livre
Pretendo não ferir
Mas livre pareço não ser
E firo sem perceber

Das coisas boas que trago
Escondidas estão
Ou as pessoas não sabem
Procurar além do alcance do que podem ver.

Às vezes eu canso
Eu ando tão cansado
Eu me lembro do passado
E finjo que sou feliz
Engano que sou forte
E acordo com cada dia
Que me abriga e me obriga
E eu sonho que sei sonhar
Invento um futuro pra disfarçar

Sou alma sedenta
Que quase nunca se alimenta
Que pede um pouco de caridade
E vive da piedade de mim mesmo.

Eu ando por qualquer lugar
À procura de qualquer coisa
E busco um sopro singelo
Algo que soe fraterno
Sem preço a pagar

O que sinto não é só meu
São de todos que me fazem sentir
E da vida que não me permite mentir
Porque serei sempre o que me desejam
Jamais o que posso ser

Aqui tudo é frio
E não há agasalhos
Os abraços apertados
Têm seus dias contados
A mão que estende
Logo não entende
E ela que é parte
Mata a metade
De alguma coisa que ainda nem restou

A infinidade das horas
É a mais inimiga dos meus dias
Quisera eu querer
Nenhum instante de um segundo qualquer

Mas nada posso
E tudo suporto
E vivo dessa insensatez
Dos versos que alguém me fez
Tão tristes quanto eu
Tão perversos quanto eles são

E eu sigo, sou andarilho
Apesar da pequenez de tanta gente
Mas da grandeza de um só:
Eu.

( Franco Bianchi)


2 comentários:

Fernando Reis disse...

nossa que profundo

OMagoDaTorreNorte disse...

bonito cara..
verdadeiro!
eu gostei :)

Feliz 2024!!!

  O exemplo do vídeo acima, é isso que te desejo pra 2024. Que a gente não esconda a saudade! Que a verdade prevaleça! Que os bons sen...